Morador do RS faz cavalgada até Brasília para pedir melhoras na saúde

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Gilberto vai percorrer 2,5 mil quilômetros até Brasília
Gilberto vai percorrer 2,5 mil quilômetros até Brasília
(Foto: Reprodução/RBS TV)

Morador do RS faz cavalgada até Brasília para pedir melhoras na saúde

Cavaleiro saiu de São Luiz Gonzaga para chamar atenção para hospital. Única casa de saúde da cidade tem dívidas que acumulam R$ 12 milhões.

Saúde
15 de agosto de 2016 às 16:12:51 592 visualizações

Um morador de São Luiz Gonzaga, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, decidiu fazer um protesto para chamar a atenção para a situação do único hospital da cidade. O zootecnista Gilberto Utzig iniciou uma cavalgada que vai passar por Porto Alegre e tem como destino Brasília.

O trajeto, de aproximadamente 2,5 mil quilômetros, deve levar 120 dias para ser cumprido a cavalo. Na garupa, a bandeira do Rio Grande do Sul com o símbolo do único hospital de são Luiz Gonzaga. O apelo do cavaleiro é para salvar a instituição de saúde, que acumula R$ 12 milhões em dívidas e não tem dinheiro para comprar comida para os pacientes.

“Nós queremos com essa iniciativa mobilizar os políticos e os governos para que atendam a saúde e mantenham os convênios em dia. Para que os deputados destinem verbas para as casas de saúde, essas instituições filantrópicas”, argumenta o cavaleiro Gilberto Utzig.

Ele tenta ajudar a salvar o Hospital São Luiz Gonzaga, que é referência no atendimento para 90 mil pessoas da Região Noroeste do estado. De fevereiro a julho deste ano, o governo estadual deixou de repassar R$ 1,2 milhão de reais para a casa de saúde.

Com o atraso no repasse do estado, as dívidas da instituição só aumentam. Atualmente, o hospital deve R$ 12 milhões. Por isso, a verba do governo é fundamental para pagar fornecedores e quitar de vez a folha de pagamento.

Os funcionários convivem com a dúvida se vão receber ou não o salário no final do mês. “As dívidas vão chegando e os juros pegando. A gente vai levando, tentando”, relata a técnica de enfermagem Maria da Silva.

O hospital reduziu em 5% o quadro de funcionários e estuda a possibilidade de cortar leitos. Dos 122 que a casa de saúde possui, 92 estão ocupados. "Se eu tiver 122 pacientes internados eu vou ter um problema bem sério no quadro de funcionários", calcura a administradora do hospital, Iria Diedrich.

Dos sete mil pacientes atendidos por mês na emergência, 75% são pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com menos funcionários, os atendimentos também correm o risco de serem reduzidos. "A gente fica inseguro. Hoje, qualquer coisa a gente vem pra cá", conta a professora Romilda Farias.

Além disso, os estoques de medicação estão baixos, assim com os de alimentos. Para servir as refeições aos pacientes, o hospital conta com doações de moradores de São Luiz Gonzaga.

“A gente tem um cardápio, só que depende do que a gente ganha para adaptar o que vem de doação. Se não fossem as doações, não teria todo tipo de alimento", informa a cozinheira Silvana Wesz.

A conta de luz na instituição não é paga há um ano. Em grande parte do hospital, as lâmpadas permanecem desligadas como forma de economizar energia elétrica, que pode ser cortada a qualquer momento.

A Secretaria Estadual da Saúde admite que há atraso nos repasses aos hospitais no período de fevereiro a maio e diz que está negociando com as instituições. A pasta informou também que tem até o dia 31 de agosto para quitar o repasse de R$ 162 mil referente ao mês de julho, e que o restante devido ainda deve ser repassado pelo Ministério da Saúde.