Alta do leite longe do bolso do produtor

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Alta do leite longe do bolso do produtor

Representante dos trabalhadores na agricultura aponta "caixa-preta" na cadeia produtiva. Indústria alega que, da propriedade até a mesa do consumidor, há uma série de custos embutidos no leite UHT

Agricultura
12 de agosto de 2016 às 08:09:48 336 visualizações

Enquanto os consumidores estão pagando quase R$ 4 pelo litro do leite UHT no Rio Grande do Sul, os produtores da matéria-prima alegam que a alta não chegou na mesma proporção ao campo. Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), o valor recebido por litro tem variado entre R$ 0,97 e R$ 1,60.

– Bem distante do preço pago pelo consumidor. Alguém está ganhando nessa cadeia, essa caixa-preta precisa ser aberta – alerta Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag.

O dirigente acrescenta que, embora o preço pago ao produtor tenha atingido valor recorde no último mês, ainda está abaixo dos custos de produção.

– E esses custos são absorvidos pelo produtor, que está cada vez mais apertado com as margens – reclama Silva, estimando que 30% dos produtores gaúchos abandonaram atividade nos últimos anos.

Levantamento da Scot Consultoria mostra que o reajuste médio nacional do preço pago ao produtor de leite foi de 21%, de janeiro a julho deste ano.

No mesmo período, a indústria reajustou o produto em 66,8% ao varejo que, por sua vez, repassou ao consumidor 37,7% de alta.

– A maior alta ocorreu na indústria. O varejo reduziu a margem de lucro pela dificuldade de repassar o aumento nesse período de retração – destaca o zootecnista Rafael Ribeiro, consultor de mercado da Scot Consultoria.

Para explicar o aumento, o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat) alega que, da propriedade até a mesa do consumidor, há uma série de custos embutidos no leite UHT – como transporte do produto, resfriamento, testes de laboratório, industrialização, tributação e embalagem.

– E quando falamos em embalagem, por exemplo, não é só a caixinha, mas toda a estrutura necessária para entregar o produto nos supermercados – explica Alexandre Guerra, presidente do Sindilat.

Soma-se a isso, segundo o dirigente, o custo logístico para levar 60% de toda a produção de leite para outros Estados, principalmente para o Rio de Janeiro e São Paulo.

– Nivelamos o preço para termos competitividade nesses mercados, até porque não produzimos apenas leite, mas também derivados, que não tiveram o mesmo aumento do UHT nos últimos meses – justifica Guerra.