Inadimplência no campo atinge maior nível em cinco anos

Últimas Notícias



Categorias


Inadimplência no campo atinge maior nível em cinco anos

Quadro de endividamento acende sinal de alerta no governo

Agricultura
14 de setembro de 2016 às 08:04:17 - Atualizado em 14 de setembro de 2016 às 08:08:38 264 visualizações

Historicamente ao redor de 1%, a inadimplência na carteira de crédito agrícola para pessoas físicas passou de 2% na média do primeiro semestre do ano. O percentual é o mais alto dos últimos cinco anos, conforme dados do Banco Central. Ainda que menor do que em outros segmentos da economia, o quadro de endividamento acendeu o sinal de alerta no governo – que nos últimos meses autorizou renegociação de parcelas de custeio em regiões atingidas por problemas climáticos, incluindo o Rio Grande do Sul.

Em julho, a inadimplência do setor agropecuário bateu a marca de 2,04% nos financiamentos concedidos a produtores no país. No mesmo mês de 2015, o percentual era de 1,43% – crescimento de 42,6% em um ano. Para se ter uma ideia, a variação da taxa média de inadimplência de todas as carteiras de crédito no período foi de 20%, chegando a 3,6% em julho.

Maior tomador de crédito rural a pessoas físicas, o Rio Grande do Sul teve problemas climáticos nas lavouras de arroz e pontualmente nas de soja, especialmente no sul do Estado. Para alongar os prazos de pagamentos com a equalização de juros, o governo precisou bloquear parcela de recursos do Plano Safra 2016/2017.

– O problema é que ainda não temos mecanismos ágeis para resolver problemas que são de natureza do negócio – critica o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, referindo-se à morosidade dos processos de renegociação de dívidas agrícolas.

Como as normas do manual do crédito rural são muito antigas, destaca o economista, cada vez que os produtores têm problemas de frustração de safra ficam na dependência do governo para poder renegociar seus débitos.

– Os produtores não possuem seguro efetivo e não têm solução automática. Por isso a inadimplência cresce nesses períodos – explica Luz.

Maior operador de crédito agrícola do país, com mais de 60% de participação no mercado, o Banco do Brasil (BB) viu o percentual de inadimplência chegar a 1,19% no primeiro trimestre. No segundo trimestre, caiu para 0,95%. Segundo João Paulo Comerlato, gerente de Mercado Agronegócio do BB no Estado, os índices foram semelhantes no Rio Grande do Sul – com variação inferior.

– Nossos percentuais não são tão elevados. Mesmo assim, preocupam, o que nos faz constantemente buscar soluções para que a inadimplência não cresça – avalia Comerlato.